Archive for December, 2007

Momento natalino e final de anino

Thursday, December 27th, 2007

Jornal De Gang
(11)

Momento natalino e final de anino

” Perdoar cabe a Deus.
Eu ignoro”

O terror natalino e o reveillon…

Ô coisa chata esta época do ano com as festas de natal e de fim de ano. Sempre se repetindo e nunca trazendo nada de novo ou algo que me chame atenção. Começando pelos nossos pentelhos do natal!

Fora o Papai Noel com seu “ho ho ho” tão manjado e chatinho, não poderia ter outro se não o rei Roberto Carlos na TV que, de tão tradicional, me vem sempre à cabeça, assim como a enjoada rabanada e o insoso panetone que também só aparecem neste período. Ver a apresentação do mestre com seu já gasto terno branco, suas longas madeixas grisalhas, seu charme de cantor de bolero e seu mais do que cansado repertório de músicas e convidados eu não dou conta. Nunca ligo a televisão nesta data nem pra ver desgraças do Jornal Nacional.

Outro porre natalino são as decorações. Principalmente as de prédios residenciais, que sempre são feitas por porteiros com ajuda de síndicos que nunca entraram numa escola de decoração, artes ou qualquer coisa que desse crédito a estes profissionais. Vemos sempre muitas luzinhas que nunca chegam no seu final com o mesmo agrupamento do inicio. São ricas no seu princípio e paupérrimas quando chegam nas extremidades. Já quando se têm lâmpadas o suficiente elas ficam a dar ziguezagueadas a esmo nas grades e árvores na qual foram colocadas. E tem coisa mais chata que luzinhas que emite sons e nunca param de zumbir feito moscas loucas? E se na mesma rua resolvem ter mais de dúzia destas merdinhas? O zumbido é desconcertante e irritante o suficiente para você perder o controle de tudo. Pior ainda quando estas musiquinhas saem de Papais Noeis que dançam e rodam com aproximação de pessoas, o que é uma delícia para crianças e uma tortura para adultos. Quem inventou isso, meu Deus? Será que ele não tinha mãe? Ou crianças na família?

E os bares e botequins que colocam as lâmpinhas em tudo que pode ser pendurado. Nas paredes, pregos perdidos, ganchos, quadros, placas de avisos, ventiladores e até bacalhaus pendurados. Um horror do Natal luminoso. Até São Jorge e Cosme e Damião ganham luzes pisca-pisca! E a arruda na garrafa pet serve de apoio pra fios.

Guirlandas daquele material esquisito, que parecem os usados em limpadores de copos, quando velhos ficam mais feios e empoeirados nunca dando um bom resultado. Se agregados a penduricalhos também velhos ficam bem piores e junto a todo resto faz do nosso já mal decorado ambiente uma loucura de estética, suja e amassada.

Já nas casas vemos quase que sempre a velha e “rota” árvore do material já mencionado e igualmente amassado e envelhecido com as famigeradas bolinhas, luzinhas e falsas neves, que nunca entendi o por que, já que o nosso Natal é em pleno inicio de verão e o calor é de matar. Sem contar o gordo Papai Noel de peles e veludos, com renas geladas e trenó que nunca vi na vida fora nesta tradicional festa que representa o nascimento de Cristo.

Espera ai? Onde encaixa neve, Papai Noel, rena, Cristo, reis magos e o “escambau”? E porque dar presentes quando na verdade quem faz anos é o tal de Cristo? Que coisa confusa e nada coerente, ou mesmo irreal, com a nossa cultura e nossos costumes. Comer nozes e avelã só em lugares frios. E pendurar meias na lareira e esperar o bom velhinho descer pela chaminé é foda. Na minha casa nem forno descente eu tenho!

Quando criança não conseguia entender como um gordalhão de roupa de dormir vermelha, conseguiria entrar numa tal de chaminé e enfiar uma bicicleta numa meia presa na tal da lareira. E ainda mais, como ele voltaria pelo mesmo caminho e entregaria as outras milhões de bicicletas para o resto do mundo? É foda mesmo o que se coloca na cabeça de uma criança. Já não basta imaginar um coelho pondo ovo de chocolate no jardim?

Agora entrando no reveillon, que é um festejo de despedidas e recomeços, de celebração de vida e de esperanças para um futuro melhor, temos como estilo de vestuário aqui na minha cidade maravilhosa, a roupa de praia até mesmo quando a festa é no meio do subúrbio ou bem longe de uma praia. Tá certo que assistir os fogos em Copa é tudo lindo ir de chinelos e bermudas, pois daí pode vir um mergulho gostoso no fim da madrugada e quem sabe até esticar o dia pegando um solzinho gostoso. A merda é que só vejo gente de bermudas e camisetas ou vestidinhos fininhos, bom pro sol e mar e não pra noite que deveria ser mais especiais e glamurosas. O que a gente vê nas ruas me dá a idéia de que todo mundo está de férias num balneário bem chulezinho e sem graça, tipo aquele lugar onde só se faz farofada na areia, bronzeados com óleos de fabricação caseira, e descolorantes em pernas e coxas com água oxigenada à luz do dia. E tem mais, chinelos Havaianas em festas de fim de ano, nem no banheiro na hora do chuveirão. Pelo amor da Santa, vamos maneirar no ficar à vontade em lugares públicos. Nem todo mundo tem estômago pra ver tanta gente de dedão e calcanhar mal tratado de fora, ainda mais com o brindar de champanhes e semelhantes em locais bonitos e bem decorados.

Usar um brilho na desculpa de estar à rigor nunca deu certo, ainda mais de camisetinhas e shoshortinhos baratos.

De Gang


 

Foto: ?
(O Natal leva o homem a loucura na hora de decorar)

Momento bimbinha

Thursday, December 6th, 2007

Jornal De Gang
(10)



Momento bimbinha

 

“Só não sou perfeita, porque sou humilde!”.

 

Modesta autora desconhecida

 

 

Dia destes estive num show em local aberto para grande publico, num espaço muito bem montado (e muito bonito, por sinal), para assistir a uma grande amiga.

O show foi maravilhoso como sempre e me diverti horrores como de costume, mas uma coisa me incomodou a noite inteira: a indumentária das pessoas presentes na sua total maioria. Horrorosa, sem sal, repetitiva e sem nenhum propósito explicável para o mau gosto coletivo.

Quase todas as mulheres, sem combinar – ou combinando, sabe lá como (seria telepatia ou transmissão de cafonice?) – estavam de calças jeans sempre muito apertadas, com cinturas geralmente muito baixas, daquelas em que o zíper só tem dois dentes exatamente do tamanho do seu puxador. Algumas andavam até de pernas afastadas, já que não há espaço para muito pano dobrado em costuras grossas e virilhas atormentadas pelo movimento deste excesso de tecido. As calças são tão diminutas nas partes íntimas que deixam sempre as bimbinhas espremidas e levemente inchadas em corpos que, na sua maioria, estão em dívidas com as balanças mostrando bundas largas, chatas, estufadas, caídas, bicudas, gigantes e etc… Como tem variantes de formato de bundas esquisitas neste mundo… e ainda com desbotados estratégicos que mais parecem simples manchas de excesso de lavagens mal-feitas em lugares já surrados pela vida.

 

Para completar o look, saltos finos (seria uma regra?????) com camisetinhas regata só mudando as cores, ou as famigeradas batinhas que já deveriam ter sido descartadas dos guarda-roupas de tão manjadas que estão. Sempre fora do que seria o ideal para tamanha exposição de volumes e corpos não muito bem feitos, saltos finos em piso de graminhas e pedrinhas são difíceis de se equilibrar e fazem da caminhada, que tradicionalmente parece de pato, uma caminhada de ganso louco.

Um horror. Imagina um ganso gordinho e de perna aberta tentando se equilibrar no braço de um ganso igual ao do sexo oposto?

No meu tempo de criança, meu pai tinha a mania de vestir a mim e a meu irmão com a mesma calça ou camisa e isso obrigava a nos separarmos em calçadas diferentes ou a nos atrasarmos na caminhada para dar o intervalo digno de um quarteirão de distância. E se estivéssemos em lugares fechados, combinávamos de nunca estar do mesmo lado do cômodo para que não nos vissem como um par de jarras.

O que percebi nesse show foi que amigas em bando sempre saem vestidas iguais e se portam como pares, trios, quartetos ou coral de grupos religiosos. Tudo igualzinho e sem gracinha. Ninguém se toca que personalidade precisa de diferenças e que imitar amigas é chato pra caralho.

Os homens, bem como de costume, se vestem mal em qualquer evento mesmo. Camisa social com punho dobrado e calças fora da moda já é padrão. Bermudas floridas, que quase sempre têm um hibisco cortado pela costura no meio da bunda, me dão um puta arrepio na espinha de tão feio que ficam. E camisetas estampadas, nunca combinando com as estampas das já jecas bermudas, somam-se a tênis de muitos dólares e muitos detalhes desnecessários (por que destes desenhos aerodinâmicos e brilhos falsos em tênis grandes e desajeitados????). São um porre de se ver, não mencionando os bonezinhos para trás como colegiais avantajados. Fica todo mundo com cara de crianças com problemas mentais, que se vestem sozinhas e erram sempre que possível.

Quem neste show não se vestia assim se destacava tanto que parecia não fazer parte da tribo do “eu visto o que todo mundo veste”.

É claro, tinha também um grande numero de leggings e vestidos de visco lycra trapézio com estampas psicodélicas, quase sempre em gordinhas que juram que estão disfarçadas com esses modelitos estraga- gorda.

 

Meu Deus, por onde anda o estilo e a moda neste país???

E por que essa onda de vaca de presépio na roupa diária???

 

Marcelo De Gang


Foto: Montagem de Antonio K.Valo

Baranga jeans ao estilo aperta bimbinha….