Archive for January, 2008

Momento tranca-rua

Tuesday, January 15th, 2008

Jornal De Gang
(12)



Momentos Tranca-rua 

Pra falar verdade, às vezes minto
tentando ser metade do inteiro que eu sinto
falando sério.”

Como é difícil a vida de pedestre!!!

Desta vez falo dos tranca-ruas, ou seja, da turma que adora travar sua passagem, atrasam tua espera em filas, atrapalham teu bom humor e etc… Te deixam muito louco ou com uma estranha vontade de esganar estranhos, o que é muito comum no meu dia-a-dia nesta cidade do Rio de Janeiro.Sabe quando você está com muita pressa e tenta ultrapassar uma pessoa mais lenta? Ela geralmente por um instinto selvagem vai para a sua direção te impedindo a passagem. Geralmente são mulheres e, por um mecanismo feminino, percebem a sua agonia e acabam desviando em direção a sua reta caminhada. Pegam uma diagonal fazendo com que você tenha que reduzir e tentar para o outro lado, repetindo a mesma coisa na maioria das vezes.Pessoas de mais idade sempre tentam furar filas de pequenos mercados ou comércios menores que não possuem caixas específicos para idosos. Nada mal deixar passagem para pessoas de mais tempo no planeta, mas isso é uma escolha e não uma ação forçada, já que vou ficar velho um dia e nunca ficaria enchendo o saco dos outros por estar com meu prazo de validade vencido.Eles ficam se fazendo de esquecidos e fingem que você não esta lá na fila com mil coisas nas mãos. E que como eles estão doidos pra ir embora ver sua TV ou descansar o lombo da sua longa jornada do dia, tendo muita gente te cutucando por deixar alguém passar na sua frente tornando a espera mais cansativa ainda. São dois constrangimentos; chamar atenção do velhinho ou velhinha e levar bronca de estranhos bem mal-educados que nunca se colocam na sua posição de mediador dos chatos, ou ignorar todos e ser a pessoa mais odiada do mundo.Já passou por um supermercado e viu uma senhora analisando e comparando preços em uma gôndola com o seu carrinho estacionado, ou melhor, atravessado no corredor, não deixando passar nem bicicletas quiçá outro carrinho também cheio e pesado? E quando você tenta tirar o veiculo do caminho e leva uma olhada de mau humor como se fosse a coisa mais absurda do mundo abrir passagem com seus próprios meios? Outro tranca-rua de mercado é o cliente que enquanto escolhe uma mercadoria não sai da frente da estante, nem mesmo se você estiver morrendo ou tendo um ataque do coração fulminante. E mesmo dando uma segunda volta ele esta lá na mesma posição como se o tempo tivesse parado ou que essas pessoas tivessem fixado residência no corredor. Isso é muito comum em caixas eletrônicos com clientes vagarosos e esquecidinhos de senhas ou dos que lidam com computadores de banco com dificuldade. Olha que a informática dos bancos já tem tempo e ainda existe gente que se enrola com teclados e números.O pior são senhoras que sempre esperam calçadas com espaços menores. Tipo: Kombi descarregando estacionada sobre o meio-fio, junto a grandes arvores e, se possível, ao lado de hidrantes e sacos de lixo postos para fora em dias não permitidos. É neste exato momento que elas abrem suas bolsas e saem à procura de celulares que nunca lembram como funcionam e ficam na loucura do “falar-sozinhas” no desespero de atender a dita ligação que provavelmente é da empregada que esqueceu alguma coisa não muito importante, mas o suficiente pra telefonar para a senhora esquecidona. O mais chato é quando nestes mesmos obstáculos da vida, duas ou mais pessoas se encontram e ficam ali mesmo. Se cumprimentam, se abraçam, trocam mil novidades e esquecem que a rua tem seu ritmo de caminhada e sempre temos que nos espremer nos muros pra poder passar. Acho muito pouco civilizado impedir passagem, mas ser olhado de cara feia quando tentamos passar é dose pra jacaré.Tem gente que se acha o rei da rua e principalmente do seu tempo. Já soube de um caso de uma querida amiga que num dia de muitos atrasos, teve que acelerar o passo para adiantar sua vida quando teve a calçada interrompida por uma menina que dançava ballet enquanto caminhava acompanhada do irmão adolescente que conversava com um senhor que parecia ser o pai de ambos. Ela num ato de pura lógica esperou a menina parar de bailar e tentou sem sucesso a ultrapassagem, no que teve a ajuda do adolescente que chamou atenção da menina pedindo que parasse e desse a passagem. Ao passar, minha amiga escutou o grito do senhor que, num exemplo de boa educação, dizia que a calçada era publica e que ele e sua família passeavam e que os apressados esperassem. Muito bonita a educação que este senhor estava dando a seus filhos. Fico impressionado realmente como andam nossa juventude. De Gang

Foto: Mulher no Supermercado por David Lachapelle
(Elas estão é loucas 2, a missão, rsrsrsrs…)


(14 JAN 08)