Archive for February, 2008

Momento morri…

Tuesday, February 26th, 2008

Jornal De Gang
(14)

Momento morri…

“Nunca confie numa mulher que diz sua verdadeira idade.
Se ela diz isso é capaz de dizer qualquer coisa”

Oscar Wilder

 

“Como será a vida pós-morte das vitaminadas e anabolizadas do nosso planeta?”Gente, outro dia estava pensando na morte da bezerra e me veio à cabeça: como será a morte das nossas poderosas popozudas, vitaminadas e anabolizadas com seus quilos de silicones e próteses pelo corpo inteiro, desenhando aqueles belos peitões ao estilo queijo Catupiry (lembra das embalagens de lata, redondas e bem bolinadas deste maravilhoso queijo)? Qual será o fim das bundas tamanho “GG grande”, tão grande que fazem sombras nas ruas e ocupam vãos inteiros de escadas de incêndio? Como ficarão as coxas à la jogadores de futebol, batatudas e volumosas ao extremo, acrescentadas a muitos quilômetros de fios de ouro, platina e o diabo a quatro para sustentar beiços carnudos, bochechas de Bozo e olhares de bonecas espantadas????
Imaginei um defunto plastificado, de formas perfeitas para uma imensa Barbie, que com o tempo se transformaria em uma caveirinha cheia de objetos plásticos grudados em várias partes da estrutura óssea formando desenhos bem esdrúxulos, criando uma nova personagem para o filme “A noiva Cadáver”, do incrível Tim Burton.
Acho até que seria mais divertido, ao invés de enterros, museus tipo os de cera, muito comuns na Europa, onde colocaríamos nossas queridas boazudas em cenários que combinem com suas antigas vidas de glamour e esplendor (e bota esplendor nisso – se forem as do ramo do carnaval que tanto povoam nosso folclore nacional mais ainda!). Assim teríamos essas personalidades eternamente expostas ao publico, pois como seus corpos, em sua maior parte, são sintéticos, jamais estragariam com o tempo, não se perdendo suas lindas formas.
Pena que nem toda “corpãozuda” é tão famosa assim para ser exibida, mas as famílias poderiam pô-las na sala de visitas, varandas ou ate em jardins como enfeites. Ou melhor, transformar os corpinhos em objetos decorativos e bem utilitários, já que em vida geralmente não serviram pra grandes coisa (muitos risos) no estilo “porta-alguma-coisa”, suporte para bebedores de passarinho (caso for os já ditos objetos de jardins), laterais de estantes de livros (se a antiga proprietária do corpinho tiver alguma cultura ou pelo menos o livro do Pequeno Príncipe) ou quem sabe peso de papel, dependendo da importância e do tamanho de cada uma.
O que mais me preocupou mesmo foi o fato de algumas pessoas preferirem a cremação, e lembrei que alguns produtos explodem em altas temperaturas e nunca soube se silicone não poderia ser um deles. Já imaginou um defunto explodindo no forno ou se caso não acontecer, como seria a fumaça tóxica que sairia das chaminés dos crematórios?
Sairiam cinzas ou líquidos derretidos no final do processo? E qual seria a forma de apresentação dos restos mortais aos familiares? Daria pra aproveitar em artesanatos como se faz com a garrafa pet???
Poderíamos transformar corpinhos esculturais em capas de sofá, porta copos. Já ate vejo um peitinho sendo usado como sous-plat ou quem sabe mouse pad. Só depende da criatividade de cada um.
A única que se sairia bem nessa história seria a nossa gloriosa Cher que, sendo o próprio Deus, jamais morreria. E num forno só se beneficiaria com o calor, pegando um belo bronzeado artificial e saindo mais linda e plastificada do que antes. Outras como Pámela Anderson, Cicciolina e até nossa tupiniquim Ângela Bismarck poderiam dar belos conjuntos de objetos, pela quantidade de matéria-prima que elas produziriam.
E, lembrando, Deus fez o peito Catupiry…
De Gang

Foto: Amanda Lepore por David LaChapelle
(Boa, bonita e gostosa. Cruzes…)


(26 FEV 08)

Momento Carnaval

Wednesday, February 6th, 2008

Jornal De Gang
(13)

Momento Carnaval

“Amigos não são apenas para festas e porres, mas também para as ressacas ”

 

“Quando a bexiga canta mais alto no tempo do reinado de Momo.”

Sou, apesar de não parecer (risos), antigo o suficiente para lembrar dos carnavais do passado onde fantasias tinham seu status e significados. Quando criança minha mãe confeccionava, piratas, índios, romanos (que eram os nossos preferidos) e outros mil personagens que se vê muito pouco hoje em dia.

A coisa hoje se resume a improvisos de colares de plástico, arquinhos com pluminhas cafonas, “coroinhas-de-princesinhas-sabe-lá-do-que”, bermudas coloridas e chapeuzinhos esquisitos para os foliões de rua. É claro que pinta uns criativos que improvisam coisas do arco da velha de engraçadas como a fantasia que vi uma vez num bloco aqui do bairro. Um rapaz vestido de chuveiro com a haste da cortina de plástico vagabundo e o chuveiro propriamente dito, que espirrava água com o auxilio de uma bombinha de borracha. Muito bom aquilo.

Temos as fantasias de escolas de samba espetacularmente estranhas que não parecem com nada que conhecemos ou parecem qualquer coisa menos o que o enredo quer dizer. É um monte de arames, celofanes, barbatanas, plumas e mais um quilo de maluquices que no conjunto fica lindo mas de perto é um terror. Certa vez uma prima paulista que vem sempre desfilar por aqui, me veio com sua fantasia para que eu ajudasse a vestir, pois metade não ficava no lugar e outra não tampava o que tinha que ser tampado. Fiz o que pude, mas confesso, aquilo era uma Kombi velha prestes a explodir, e não deu outra, na passarela a forração dos arames que davam apoio à estrutura esdrúxula da fantasia começou a se dissolver com o suor excessivo que a roupa produzia, foi ferindo a foliã paulista e ao termino do seu tempo de gloria, tinha vários cortes no rosto, ombros e quadris. Em resumo não gosto de carnaval mesmo.

O mais estranho pra mim são as fantasias de destaques que, ou parecem monumentos de pedras, plumas e quinquilharias tendo um (a) coitado (a) a carregar aquela montanha de informação, ou são as minúsculas reproduções destas montanhas a tampar bundas generosas ou peitos turbinados, com uma raça inteira de uma ou várias aves na cabeça e nos ombros, mas nunca explicando o que representam essas diminutas roupinhas de madrinhas ou boazudas de carnaval.

Outros grandes mistérios da minha vida: Primeiro, onde esta o povo da comunidade que estas escolas representam?

E segundo, de onde saem e pra onde vão essa mulherada e agora os homens também, que ficam seminus nos carros e na frente de baterias, quando acaba esse inferno todo,???

Terceiro e o mais misterioso de todos, porque as comissões de frete são tão chatas e melodramáticas com gente voando, parindo, peidando ou sei lá mais o que bem na frente de tantas pessoas sorridentes e animadas? Sou do tempo das irmãs Marinho, que vinham à frente, como gloriosas vedetes sambando no pé como ninguém mais vê. Nossa como estou velho (risos).

Um caso a parte são os blocos de rua que reaparecem aos montes, cada vez mais numerosos, longos e de um lento arrastar de gente em sua maioria embriagada que seguem outras tão bêbadas quanto e por fim mijam um bairro inteiro. Só em Laranjeiras, onde moro, são sete ou mais blocos que atrapalham o trânsito e a paciência de moradores uns quatro meses antes do dito carnaval, com ensaios sem sentido, pois o máximo que se faz num bloco é gritar, fumar todas, beber e seguir uns aos outros por um quarteirão inteiro. Já ate temos aqui na rua uma avaliação por pontos de locais de xixi dos foliões com direito a classificação e recordes. Só no meu portão espantei uma dezena de pintos mal educados com tesouras de cortar grama e vassouras com ajuda de amigos. Uma “foliona-mijona” até ameaçou fazendo cara feia e por fim nos xingando sempre tendo a sexualidade como tema, por não ter acesso livre a meu banheiro. Imagina ter três mil “folionas” a mijar no meu vaso. Cruzes, isso aqui iria virar a Central do Brasil em termos de banheiro, ou teria um tsunami de xixi na casa…

 

De Gang

Foto: “Um carnaval qualquer nota dez, com uma fantasia também qualquer nota, nota zero, zerooooooooo…”


(05 FEV 08)