Momento morri…
Tuesday, February 26th, 2008
Momento morri… 
“Nunca confie numa mulher que diz sua verdadeira idade.
Se ela diz isso é capaz de dizer qualquer coisa”
Oscar Wilder
Imaginei um defunto plastificado, de formas perfeitas para uma imensa Barbie, que com o tempo se transformaria em uma caveirinha cheia de objetos plásticos grudados em várias partes da estrutura óssea formando desenhos bem esdrúxulos, criando uma nova personagem para o filme “A noiva Cadáver”, do incrível Tim Burton.
Acho até que seria mais divertido, ao invés de enterros, museus tipo os de cera, muito comuns na Europa, onde colocaríamos nossas queridas boazudas em cenários que combinem com suas antigas vidas de glamour e esplendor (e bota esplendor nisso – se forem as do ramo do carnaval que tanto povoam nosso folclore nacional mais ainda!). Assim teríamos essas personalidades eternamente expostas ao publico, pois como seus corpos, em sua maior parte, são sintéticos, jamais estragariam com o tempo, não se perdendo suas lindas formas.
Pena que nem toda “corpãozuda” é tão famosa assim para ser exibida, mas as famílias poderiam pô-las na sala de visitas, varandas ou ate em jardins como enfeites. Ou melhor, transformar os corpinhos em objetos decorativos e bem utilitários, já que em vida geralmente não serviram pra grandes coisa (muitos risos) no estilo “porta-alguma-coisa”, suporte para bebedores de passarinho (caso for os já ditos objetos de jardins), laterais de estantes de livros (se a antiga proprietária do corpinho tiver alguma cultura ou pelo menos o livro do Pequeno Príncipe) ou quem sabe peso de papel, dependendo da importância e do tamanho de cada uma.
O que mais me preocupou mesmo foi o fato de algumas pessoas preferirem a cremação, e lembrei que alguns produtos explodem em altas temperaturas e nunca soube se silicone não poderia ser um deles. Já imaginou um defunto explodindo no forno ou se caso não acontecer, como seria a fumaça tóxica que sairia das chaminés dos crematórios?
Sairiam cinzas ou líquidos derretidos no final do processo? E qual seria a forma de apresentação dos restos mortais aos familiares? Daria pra aproveitar em artesanatos como se faz com a garrafa pet???
Poderíamos transformar corpinhos esculturais em capas de sofá, porta copos. Já ate vejo um peitinho sendo usado como sous-plat ou quem sabe mouse pad. Só depende da criatividade de cada um.
A única que se sairia bem nessa história seria a nossa gloriosa Cher que, sendo o próprio Deus, jamais morreria. E num forno só se beneficiaria com o calor, pegando um belo bronzeado artificial e saindo mais linda e plastificada do que antes. Outras como Pámela Anderson, Cicciolina e até nossa tupiniquim Ângela Bismarck poderiam dar belos conjuntos de objetos, pela quantidade de matéria-prima que elas produziriam.
E, lembrando, Deus fez o peito Catupiry…
Foto: Amanda Lepore por David LaChapelle
(Boa, bonita e gostosa. Cruzes…)

(26 FEV 08)

