Momento Serviços
Thursday, July 10th, 2008Como é difícil precisar dos outros !!!
Recentemente fiz um evento de moda e constatei que: Esse país está cada vez mais louco!!
As pessoas que prestam ou emprestam serviços e favores, estão cada vez mais enroladas. E as promessas de um bom serviço só funcionam em panfletos publicitários. Vou explicar isso tudo direitinho.
Precisei, para dar inicio a novas idéias, fazer pesquisa de tecidos e materiais e a cada loja que eu entrava sempre tinha um cidadão sem muito saco pra atender. Sempre tem pronta a resposta do “não tem” ou, o que é pior, a criatura te olha fundo, vira para o lado e berra se o tal pedido existe no mundo. É mais ou menos assim: “– O senhor tem tafetá changeant?” E a resposta vem. “– Eu tenho cetim charmuese.”. “Mas eu pedi tafetá changeant!”. “Mas eu tenho gorgurão laranja!”. Dá para entender? Nessa história já me ofereceram até veludo!
Teve uma loja em que procurava brim verde e a vendedora jurou que não tinha mais esta cor. Vasculhando o estoque só encontrou poucas peças de outras cores. Quando fui dar uma conferida, realmente tinha poucas peças só que uma era verde escura, outra verde média (exatamente o que queria) e mais um tom meio esverdeado que puxava pro caqui. Sei não, acho que a moça era daltônica ou estava afim de fuder com o seu chefe, mesmo por que a loja fechou dias depois.
Para estampar tecidos, isto sim, deu uma dor de cabeça do cão. Os estampadores são sempre longes de tudo, tem limitações sobrenaturais para pedidos, só fazem uma certa quantidade, só trabalham com determinadas cores ou sempre tem muito serviço e nunca podem pegar mais nada pela frente, ou seja, quase nenhum pode nos servir. E quando acontecia o milagre do sim, vinha a montanha de complicações: “– Só damos o preço depois de ver o tecido na mão”. “– Não serve a descrição por telefone?” (uma empresa de silk não saber o que é sarja, é complicado). Ou “–Só faço azul cobalto, pois não temos o azul índigo no estoque”. Ou pior, “– Só estampo no nosso tecido”, que é geralmente de qualidade suspeita e nunca com a aparência que valha a pena.
“Não faço dez porque só faço cem e não pinto azul porque não tem”.
Fazer com que eles comprem uma nova tinta é quase sempre um pedido nosso tão extravagante? E pelo fato deles trabalharem sempre longe nunca facilitam qualquer tipo de transação, tendo sempre nós que resolver para eles. Afinal quem está pagando pelo serviço? Só consegui estampar alguns lenços porque a casa que presta este tipo de serviço indicou seu próprio funcionário que terceiriza o trabalho já que o seu patrão não se dispõe a diversificar serviços, perdendo clientes e novas possibilidades de mercado, se contentando a estampar carinhas de bebês indefesos, ou políticos com as mesmas carinhas de bebês só que não tão indefesos assim ou então a já conhecida camiseteca de eventos sem graça que tanto avacalham o trabalho da moda. Nunca pegam nada que fuja desta mesmice, depois ninguém entende porque essas lojas não se modernizam.
Costureiras é um caso a parte. Elas sofrem de síndrome do papel higiênico, ou estão enroladas ou estão na merda.
Uma vez entrando numa lojinha de bairro onde se lia numa placa “Serviços de Costureiras”, perguntei se fechavam camisas. A senhorinha que conversava com uma possível amiguinha, se assustou de tal forma que seus olhos se esbugalharam e logo respondeu: “– Costura? Camisa? Fechar?”. Na insistência ela se afastava e ficava cada vez mais esbugalhada e respondia atônita, “– Camisa? Costura? Fechar?”. Parecia que eu queria tirar o fígado dela tamanho o susto que ela levou! Sai de lá rindo feito louco com meu sócio imaginando se tivesse perguntado se fechava ternos. Acho que ela gritaria e sairia correndo pela janela…
Para os demais serviços que precisamos para o tal evento foi a mesma coisa. Ou não podem por falta de horários, ou por falta de equipe, ou ainda por falta de compreensão, pois pra cada pedido temos que mandar mil informações e explicações para o óbvio e nunca temos uma resposta direta, sempre dependendo de terceiros ou de ligações que nunca retornam. Se é aluguel de cadeiras só se alugam 98 e não cem. Para iluminação e som, só com o próprio operador que esta com casamento marcado para o dia do evento e não poderá ir. E por ai vai. Ninguém facilita.
Ate o espaço que foi oferecido para o evento, nos deu problemas. Como era empréstimo e o local era da prefeitura, tinha sempre um diretor a dar palpites e negativas, precisando sempre de plantas, cartas e o esquimbal para se ter uma posição, tendo um novo diretor a dar do contra até no momento final da apresentação. Você consegue um salão, mas não podem usar a porta X e acender a luz Y ou não pode ficar do lado B e só pode colocar coisas no lado C da sala. Se for marcado de tantas as tantas o uso do espaço, já tem uma assistente com cronômetro nas suas costas sempre lembrando que faltam tantos minutos pra encerrar as atividades e pôr todo mundo pra fora, pois o salão será fechado às pulgas logo após o movimento e o diretor W ficará muito feliz em saber que mais nada acontecerá por lá nos próximos meses ou anos. Vocês imaginam que tinha até uma figurante a assistente na calçada, impedindo a parada do carro em que vinha só para descarregar objetos que seriam usados no cenário? Tive que jurar que só ia retirar uma cadeira e luminárias e o motorista sairia logo após e ela ficou lá parada confirmando se isso seria verdade. É um pé no saco funcionários eficientes como estes, se alguém passa por lá agora possivelmente verá eles nas árvores vendo se pássaros cagam nos galhos ou algo parecido.
Na verdade eu moro próximo ao local e toda vez que passo na porta não vejo ninguém nas proximidades. É só ter outro evento que eles aparecerão em hordas criando casos com os transeuntes. Esquisito, não?!
De Gang

(10 JUL 08)

