Momento Carioquice
Sunday, November 9th, 2008
Momento Carioquice
“Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta.”
Autor Desconhecido
Deu quiquito no bafão de Cleonice…
Dias atrás estive em uma super festa em Santa Teresa, numa big casa mega monstra, muito bem localizada, pois eu conseguia ver ao mesmo tempo o bairro da Urca com o seu Pão de Açúcar de fundo e a Central do Brasil no centro da cidade, tudo num mesmo plano.
A casa era muito bonita e bem decorada, com jardins a toda volta, ambientados com confortáveis sofás, cadeiras e poltronas. Um eficiente sistema de som mantinha a musica em todos os recantos e muitas televisões de plasma em tudo que era lugar distraia os olhos. Tinha uma até no trampolim da piscina pronta para um mergulho! Em cada canto desta imensa propriedade tinham generosas mesas muito bem arrumadas, de comidas e bebidas não faltando quantidade em momento algum só pecando um pouco pela qualidade do buffet. Por uma recepção não passava nenhum penetra ou convidado não desejado, com grande equipe de recepcionistas treinados e equipados para que nada desse errado nesta fabulosa festa. Belos modelos masculinos e femininos circulavam com figurinos duvidosos, mas adequados para o tema da dita festa, distribuindo brindes e balinhas. Uma gigantesca equipe de serviço circulava pela casa não faltando champagne e salgadinhos para ninguém. O único defeito desta fantástica noite era que eu não conseguia ver, mesmo circulando por todo o espaço e a noite inteira, menos de uma dúzia de pessoas bem vestidas ou adequadamente arrumadas. Desta minoria, contando comigo (o que não conta), o meu sócio (que também não deveria contar), um amigo que trabalha na área da moda com o seu terno de linho branco, sua bela acompanhante que me lembrava muito uma Billy Holliday repaginada no seu lindo vestido tubo e flor nos cabelos, uma belíssima e estranha moça de cabelos à la Cleópatra, vestindo um macacão preto super chic que transitava com um grupo de pessoas que não combinavam muito bem com ela e mais um ou outro que passavam solitários na nossa frente, destoando muito da maioria. O restante dos convidados estava como sempre, uniformizados, com péssimas roupas em produções largadas, relaxadas ou até mesmo, não sei se de propósito ou se é pra ser chato mesmo, ao estilo “estava em casa, saí assim mesmo e não estou nem ai pra você”. Trocando em miúdos: bermudas, camisetas e tênis sujos e quando tentavam estar mais sociais, a coisa ficava no modelito de péssimo gosto.
Cacete, que coisa mais pentelha essa onda carioca, e olha que sou carioca e odeio falar isso, de quase todo mundo colocar o pior do seu armário em prol do conforto e esquecer que confortável não é estar com um jeans imundo e uma camiseta velha e sim estar com algo que lhe caia bem e te deixe bonito e bem apresentado.
Nesta festa a mulherada quase que em sua maioria vestiam aqueles famigerados jeans bem apertados, como sempre, com aqueles desbotados cafonas em áreas esquisitas e as miseráveis blusinhas batinhas de viscolycra como se todas estivessem vindo de uma feira livre, e é claro todas de salto alto que sempre da aquela caminhada de pato para as que não sabem usá-los. Seria o salto à desculpa por não ter colocado coisa melhor ou de salto tudo fica perdoado?
As que não faziam o estilo casual boboca (jeans, camiseta e salto), usavam vestidinhos soltinho de alcinhas, geralmente em malha, com brilhinhos feiosos pra dar um look noite. Algumas mais ousadas usava o que chamaria de roupa de acompanhante de boates de pegação para gringos. Vestidos muito curtos, geralmente bem brilhantes e espalhafatosos, muito decotados e com cara de fora de moda, se é que já esteve alguma vez na moda… Lembro-me de uma gatinha que trajava algo do gênero que de tão curto parecia estar só de blusa. Como quase sempre a bunda é maior do que o resto do corpo, obrigando a moça a ficar puxando o micro vestido a cada movimento. E o melhor era o cabelo meio liso e preto na raiz e cacheado e louro nas pontas, dando pra perceber que algum tempo ela não passava num cabeleireiro. Meu Deus! Parecia personagem de “Bye Bye Brasil”, ou seja putinha de estrada.
Como a festa era da turma do cinema e em Santa Teresa, tínhamos a ala hippie local que nunca pode faltar com suas sandalhinhas rasas de couros fedorentos, vestidões e batas de ciganas cheios de espelhinhos descorados e as calças largas, sujas e feias de algum tecido fininho destes muito em voga nos anos 70’. Em suma, aquele horror bicho grilo de sempre. Janis Joplin já morreu e Woodstock acabou a décadas.
Os rapazes, quase que em sua maioria, vestiam qualquer calça larga e velha, camisetas que pareciam de alguma promoção ou evento com logos e escritos feios no peito e o finalizante de estilo, tênis caros, grandes e medonhos. Não sei o porquê, mas existe uma onda de cofrinho a mostra e cuecas a vista que cansa e muito quando se está numa noite de festa e glamour. Gente tem coisa pior na vida do que ser “nada”, “zero a esquerda”, “não-to-nem-ai” ou “Zé arruela” de festas?
Eu escuto sempre de pessoas que olham o meu trabalho de moda e dizem não ter aonde ir com roupas bonitas. O que me irrita é que quando tem a oportunidade, não usam por sei lá qual motivo e só se vestem melhor no casamento de algum parente ou se por azar precisam sair à cata de empregos, fora isso é sempre o jeito carioca de ser, chinelo, bermuda e moletom no frio e na chuva.
De Gang

(09 NOV 08)
