Archive for September, 2009

Momento TV Velha

Sunday, September 13th, 2009

Jornal De Gang
(31)

Momento TV Velha 

Para não dançar feio. Meia não é calçinha. Rock não é rôla. Banda não é rouge. Assaravá. Nhá!!

(Pai Lolô – Aloisio de Abreu)

Porque a televisão anda tão velha e antiguada?

Vocês já perceberam que a programação da televisão em geral, principalmente a da TV aberta, está cada vez mais antiquada? Tudo tem cara de coisa que víamos desde o tempo em que a imagem era só em preto e branco. Não mudou muito o visual e a intenção mesmo com mil cores na nossa telinha.

Ainda insistem o famigerado auditório com dançarinas sexuais, de roupinhas mínimas, rebolando sem parar, mesmo sem musica. Os cenários continuam falsos, purpurinados, plastificados e de gosto bem duvidoso, típico dos antigos programas de calouros a La Carlos Imperial. Mesmo com as super telas de plasma que servem de fundo, ainda se vêem o estilo cafona de velhos programas.

Vira e volta, temos o insistente sofá com convidados desajeitados (pois é difícil ficar sentado de frente para todo o país sem deixar a pessoa desconfortável) intercalados por cantores e dançarinos boboquinhas da nova safra de astros da MPB (astros???), que teimam em fazer a gente sentir um pouco de vergonha por sermos da raça humana. Entrevistados nem sempre ilustres, que repetem o mesmo texto em todos os programas e entrevistadores fofinhos que adoram interromper respostas com coisas risíveis e pouco ilustrativas, isso quando não são famílias inteiras sentadas em cadeiras, lavando a roupa suja em plena rede nacional. É o fim da picada ver gente humilde se humilhar na telinha da TV com hora marcada e banhinho tomado.

Ainda existem programas com mulheres bonitas ou não, novas ou bem velhinhas, vestidas de longo com muito brilho, sorrisos forçados e cara de boneca de plástico, que falam, falam, falam sem parar até deixar você sem graça de tanta abobrinha dita. A loura burra ainda é moda na TV brasileira e nem sempre a loura é 100% loura!

Nos telejornais colocam seus jornalistas em grande mesas futuristas esquisitonas, estilo sala de comando da Enterprise, da memorável “Jornada nas estrelas”, e como fundo um escritório mequetrefe qualquer, com gente comum passando pra lá e pra cá, só que sem o restante da nave espacial. O pior é quando aparecem janelonas falsas com cidades fotografadas que não diz nada além de que o mundo paralisou lá fora.

Na ala humorística, ainda se insiste no humor do tempo da Rádio, ou seja, muita piada velha, muito personagem caricato e muitos bordões repetitivos. Os personagens acabam sempre na ridicularização de bichas-pão-com-ovo, mulheres-boazudas-ignorantes, homens-feios-espertinhos, nordestinos-sem-noção, negros-abestalhados e todo tipo de perfil pra lá de gastos pelos humoristas antigos. Escolinhas e pracinhas já deram o que tinha que dar! E ver o mesmo indivíduo repetindo a mesma frase por anos a fio, cansa feito comer canja todo dia.

Programas de perguntas e respostas é a coisa mais velha do mundo e ver roletas coloridas, bolas numeradas saindo de cestas rotativas, escolha de placas desenhadas e o diabo a quatro é o fim da falta de originalidade. Já vi ate atores televisivos jogando dominó ao vivo. Tem coisa mais démodé??? Acertar bolinhas em buracos, andar de bicicletinha ou cair em piscininhas de plástico é um saco de se ver, ainda mais num tempo pseudo-moderno com coisas mais sérias para se resolver.

Até criançinhas tagarelas, vestidas de “Que fim levou Baby Jane”, somos obrigados a aturar. Apresentadora infantil é sempre a mesma coisa: louras, burrinhas, infantilizadas e cheias de xiadinhos esquisitos na fala. Até a mestra das mestras mantém os moldes antigos só mudando o figurino criança-piranha para adolescente-piranha. Só me falta encontrarem uma sósia da Doris Day para apresentar coisas na tevê! Não posso esquecer as mulheres quase que mumificadas, com bichinhos de espuma que falam e cozinhas lindonas (totalmente falsas) nas horas matinais. Tenho medo de suflê que entra gelado e sai quente num piscar de olhos.

Os Reality Shows não mudaram muito os moldes caretas da televisão, muito pelo contrário, as figuras são obvias, carimbadas e fáceis de enjoar, já que não rola muita variação de um mavambo marrento para um outro do mesmo porte, assim como uma boazuda tolinha e turbinada para outra. Confinamentos forçados que eles juram ser verdadeiros e naturais me deixa de cabelo em pé. O que pode um fortão anabolizado ou uma patricinha ciliconizada acrescentar de novo na vida de alguma pessoa?

Novelas refeitas ou de época já falada, de paisagens de interiores já surrados ou com o mesmo tema de novelas anteriores é foda, mas novela moderna parecendo ser mexicana aos moldes vinte anos atrás é o fim do mundo. Às vezes prefiro ver as originais, cafonas, coloridas e engraçadas de tão brega.

Até nos comerciais vemos o passado retornando com marchinhas cafonas, garotas rebolativas vendendo chamadas telefônicas ou modelos risonhas vendendo remédios milagrosos neste século 21. E as jóias vagabundas em dedos trêmulos com um cara repetindo em off o quanto vantajoso é comprar jóia tão feia? Parece a idade da pedra da publicidade. No canal concorrente eterno temos casais com caras estranhas que anunciam coisas dançando uma discotequinha breguinha e sem sentido já que o que vendem não tem nenhuma relação com a dança ou com a volta do Travolta.

Acho que vou transformar minha TV num aquário de peixes. Pelo menos assim não me sinto fora da época mesmo vendo peixes fazendo o que os BBB fazem na vida.

De Gang

Foto: A TV é de plasma, mas os tempos são da vovó…

(Montagem de De Gang)


(12 SET 09)