Momento Loucura de Natal
Monday, December 21st, 2009Jornal De Gang
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Momento Loucura de Natal 
“Eu não sei o que quero ser, mas sei muito bem o que não quero me tornar”
(Friedrich Nietzsche)
Como entender um velho gordo de pijamas voando de trenó
E lá vem ele… Papai Noel, um velho vestindo estranho pijama vermelho (seria um comunista?), quente demais. Que vem num trenó voador (cruzes, trenó tem aerodinâmica para isso? Se ainda fosse um balão?), puxado por renas (agora sim começa a alucinação, rena voadora só com muito chá de cogumelo), que desce pela chaminé de sua casa (não tenho e nunca vi uma aqui na minha cidade), trazendo a bicicleta tão esperada (bicicleta não passa em uma chaminé e nem mesmo um velho gordo. Só mesmo em chaminés de hidroelétricas).
Primeiro: como ele desce chaminés sem corda ou escadas e sendo gordo como retorna ao telhado sem quebrar nenhuma telha?
Segundo: onde fica estacionado o tal do trenó e suas renas? Porque nunca vimos o cocô das renas nas telhas, já que estes bichos defecam demais como maioria dos quadrúpedes?
Terceiro: como consegue carregar o presente de um planeta inteiro num saco e entrega tudo no mesmo dia e hora? Deveria aproveitar e pegar algumas dicas para o nosso lamentável correios e telégrafos que não conseguem entregar nem uma simples carta sem atrasos.
A gente quando criança tem que ser um gênio para entender este tipo de história, e ainda por cima engolir o fato de nem sempre vir aquele presente tão sonhado e sim o presente tão favorável ao bolso dos seus pais. Já não basta ter que engolir o Coelho da Páscoa que põem ovo de chocolate e ainda consegue embrulhar com papel bonito e rechear o tal com balas e mil coisas miúdas?
O Papai Noel foi fácil desmascarar. Quando ainda criança, eu e meus irmãos, decidimos improvisar com pregos e arames, uma rede no rodapé do corredor da casa. A engenhoca pega-noel funcionou muito bem, o que deu errado foi que o falso presenteador, que era nosso pai obviamente, nos proibiu de brincar com os presentes por uma semana em troca dos hematomas ganhos na traquinagem. Já para o coelho, fizemos um rodízio de vigília na janela do quarto, sendo que pra isso precisava ficar na ponta dos pés olhando o jardim a noite inteira. Coisa bem difícil para uma criança, ficar na ponta do pé e não dormir nesta posição sem cair da janela. Pela manhã descobrimos a mãe escondendo ovos atrás de vasos e ela nem se preocupou em colocar umas orelhas pontudas para disfarçar. Acho que esta revelação foi a pior, pois no Natal sempre dávamos uma geral na casa a procura de presentes escondidos. Teve períodos em que até a casa dos vizinhos eram investigadas, já que morávamos em um bairro com muitas crianças e em reuniões secretas eram formadas equipes de busca ao presente na casa de todos os amiguinhos. Como sempre os encontrava, brincávamos um pouco às escondidas e depois devidamente reembrulhados, eram guardados nos seus devidos lugares para se fingir surpresa ao abri-los, e como não tínhamos chaminés dava pra acreditar num Noel adiantado concomunado com nossos pais. Mas o coelhinho foi sacanagem.
Quem inventou essa baboseira nunca se preocupou com os traumas que isso gera na cabecinha miúda de gente maluquinha como eu e meus manos.
Em tempo, já notou que quem cuida da decoração natalina na maioria da cidade são porteiros com a sua tradicional falta de imaginação na hora de colocar as luzinhas piscantes em árvores e grades? Sempre aparece um boneco meio empoeirado para destoar no gramado, com renas fora da escala, menino Jesus gigante e animais que nunca estariam perto da manjedoura naquela época. Já vi jacarés, girafas, ursos e até dinossauros em presépios. Como árvores falsas são feias vistas de perto. Parecem aquelas escovas de lavar copos que era moda há tempos atrás. Mesmo na era do falso fabricado na China, não se inventou uma arvore descente para decorar nossas casas com mais realidade e dignidade.
Ainda prefiro comemorar o Natal não comemorando nada, o que sempre dá certo.
Feliz Natal a todos…
De Gang

(21 DEZ 09)

