Momento Vizinhos
Jornal De Gang
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Momento Vizinhos 
”Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima”
Dercy Gonçalves.
A difícil arte de conviver com estranhos a sua volta…
Moro há muito tempo numa antiga casa num tradicional bairro do Rio de Janeiro, e guardo na lembrança imagens lindas desta agradável rua. Ao meu lado onde ainda mora minha tia-avó, lembro de um grande jardim com uma velha mangueira que nos dava bons frutos o ano inteiro. Ambos não existem mais, pois tudo foi trocado por um cimentado sem graça a não ser o de enfear o entorno da grande casa. Mais ao lado um casarão com duas simpáticas senhoras que dão aulas de musica, uma de canto outra de piano, que nos valia tardes de belas musicas e nem sempre de belas vozes. Mas quem se importava? Do outro lado uma casa feiosa com vizinhos itinerantes, mas não menos interessantes. De inicio uma família espanhola com muitos filhos da minha faixa etária que rendiam boas brincadeiras com o meu antigo autorama ou em nossa piscina de plástico, montada no jardim todos os verões. O acesso era geralmente feito por uma passagem pelo telhado onde existia uma comunicação entre as casas. Tempos depois virou moradia temporária da família de portugueses que morava na estranha residência situada a frente da minha, que iniciava uma demorada reforma, fazendo da já mencionada estranha casa virar depois de pronta, numa estranha casa moderna. Mesmo antes ou depois da reforma, esta casa sempre foi palco de grandes e animadas festas e muito papo furado na sua varanda e garagem. Por um curto período, a casa feiosa do lado teve montada uma sauna para executivos, que nos trouxe um pouco de barulho e infiltrações, mas como ficou muito pouco tempo logo foi esquecida, fora um dia em que uma galinha viva caiu no meu quintal sendo resgatado por uma mocinha de shortinho e sutiã rosa que nos confessou em lágrimas que a ave tinha sido o ultimo presente de sua falecida mãe. Engraçado uma galinha ser salva por uma piranha.
Nos fundos uma casa numa parte mais alta da rua, onde só se via uma garagem silenciosa de onde subindo em seu portão eu podia ver meu telhado, jardim e a boa e querida piscina de plástico.
Na minha esquina já bem freguentada por todos os visinhos existe um botequim estilo pé-sujo e do outro lado um boteco freguentado por todos os bêbados de pé sujos da região. Perto o típico barbeiro que cortou a maquina nº4 o meu cabelo até a pouco tempo (hoje tenho minha própria maquina), e a farmácia com sua balança na porta que sempre era visitada para se confirmar se continuava magro como pluma. Na subida da rua um centenário e discretíssimo prostibulo, com suas putas e freqüentadores que nunca eram reconhecidos pelos moradores, tamanha a discrição.
Hoje em dia os bares se multiplicaram. O já tradicional ficou mais tradicional ainda e os concorrentes seguiram na cola do pé-sujo mais na moda do bairro. O barbeiro continua lá só que fechado com ar condicionado, melhorando muito a espera com revistas ‘Caras’ e ‘Quem’ antigas e o bom papo com os simpáticos barbeiros. A farmácia agora tem muitos letreiros de plástico meio cafona, mas eficiente pra atrair vendas, ganhando como vizinhos, uma casa lotérica, muitos estúdios moderninhos, antiquários amigos, restaurantes bacaninhas e pequenos escritórios. A única coisa que mudou mesmo para pior foi os meus vizinhos de entorno.
A minha tia sempre alugou vagas para moças, e como esta muito velhinha (97 anos completos, sem memória alguma e dura como pedra), alugou um quarto para uma senhora que aos poucos foi expulsando antigas moradoras, trazendo toda a sua família nordestina, junto com os problemas típicos de famílias grandes e confusas. O que antes era uma pacata casa de velhinhas virou em pouco tempo, um festival de brigas entre mãe e filhos, irmão e irmã, marido e mulher, cães e gatos, vento e ar, pires e xícaras, ou seja, tudo é motivo de brigas nesta casa. Já várias vezes a policia teve que entrar em sena com gente gritando e sendo expulsa a tapas e safanões.
A musica, como não poderia deixar de ser, é alta, chata e de péssimo gosto, agora acrescentada de musicas religiosa, já que quase todas as mulheres se converteram a religiões de gente chata como elas. E tome, musica de Deus brega versus funk favela, passando pelo sertanejo e o pagodão de praxe. Tem um do bando que escuta “Olhos nos Olhos” da Bethânia umas dezenas de vezes ao dia, por meses, sempre em horários espaçados para a gente não deixar de perceber como é chato a dor de corno alheio.
A casa do outro lado virou um deposito de uma floricultura de festas de onde cai muito objeto esquisito de decoração de metal e ratos que lá moram e vem catar comida na minha área. Tenho até pena dos bichinhos que só tem poeira e vaso de planta vazio como companhia.
O vizinho de cima agora é um habitante da garagem, que abrindo uma janela sobre mim, virou um confortável cafofo com cozinha externa e tudo, de onde caem embalagens de comida, vasinhos de flores já secos e de saquinhos de filtro de café usado, amarrados em sacos plásticos que são arremessados no meu telhado entupindo calhas e quebrando telhas, isso quando não são coisas mais pesadas e estranhas que aparecem sobre o meu telhado. Muito fofo o meu vizinho. Fora isso ele joga de volta as folhas e galhos que caem da minha arvore ao meu jardim. Será que ele recolhe e devolve à prefeitura as folhas caídas das muitas arvorem da rua ou entrega diretamente ao poderoso Deus de minhas chatas e religiosas vizinhas.
O antigo puteiro agora é uma famosa casa de festas com samba quase que todos os dias, que traz um povo animado, carnavalesco e feliz que desce toda a madrugada aos berros e urinando a rua inteira num ato de total displicência com quem dorme a sua noite de descanso. Seria a musica alta, que faz o sambista de meia tigela gritar ou é ordem dos festeiros para que desçam sinalizando que irão passar em sua porta para que saibam que eles se divertiram o suficiente?
Se essa rua fosse minha, poria todo mundo pra correr e montaria novamente uma piscina de plástico só que no meio da rua desta vez.
De Gang.
Foto: A galinha é presente da mama…

(19 NOV 09)
Tags: casa da tia, galinha da vizinha, pé-sujo, puteiro, vizinho, vizinhos


November 19th, 2009 at 14:00
fala meu amigo DeGang, aqui é o caíque blz, saudades de ti, do pessoal. chutei o pau da barraca e pedi demissão, depois te conto os detalhes sórdidos.
“A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos…
TUDO BEM!
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum…
é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.”
Chico Xavier
November 19th, 2009 at 17:07
(AGORA CORRIGIDO!!!!!)
QUERIDO,
E assim mesmo, não tenho duvidas que tua reclamação e super valida………..acontece, querido, que todos estamos sendo vitimas,uns mais outros menos(?)………..da chamada globalização,internacionalização!!!!!!o como m…… se diga, acontece que os “direitos” ao mal comportamento estão sendo aplaudidos em geral!
veja bem , se em um pais cidade, prefeitura …….as pessoas são valorizadas pela mídia?o que você quer?….todo desce ao asfalto?….sim se não o “pessoal”sobe a tua ladeira e indo embora deixa as marcas…….como fazem alguns animais!…………isto e o geral querido, não teria diferencia na tua rua! e triste mas estamos assim,não e a casa do lado?????? e o vizinho do apartamento, comprou um som novo! como os outros iram saber de seu poder aquisitivo?,como se ele não anda na rua com vidros escuros, e musica de deixar surdo o outro, o mundo iria a saber do seu enorrrrrme poder de empréstimo?……
e assim Marcelo, nos nivelarão pela línea do subsolo do Equador, isto esta longe de ser um terceiro mundo, não consegue subir do 8 tavo mundo!
pena por nos!…….que acabamos sendo neuróticos(nos chamam)…….e antidemocráticos!……….porque e que você esta se queixando do lixo no teu telhado??????
o teu telhado amigo? e livre! e PARA TODOS!
BEIJOS DE 40* A SOMBRA!
BB
November 25th, 2009 at 18:58
oi marcelo , comico se nao fosse tragico . lamento . vem pro meier . aqui converso com os passaros .
bjao claudio