Momento sem estilo

Jornal De Gang
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Momento Sem Estilo

“Não é que com a idade você aprenda mais coisas, você aprende é a ocultar melhor o que ignora”
(Millôr Fernandes)

Como fazer moda esta ficando cada vez mais difícil…

Nestas ultimas semanas só se fala de moda e estilo na cidade do Rio de Janeiro graças ao Fashion Rio e o Fashion Business e como sendo um homem do ramo, compareci aos eventos para reencontrar queridos amigos e gente da área para aquele tricô gostoso regado a muito champanhe e papo furado. Confesso que adoro estes momentos e me divirto muito vendo a correria fashion de quem melhor se saiu na escolha de cores e formas que não encalharão na próxima temporada já que fazer moda é uma verdadeira caixinha de surpresas. Ou pega o novo comprimento esquisito ditado pelos birôs especializados em moda e comércio ou veremos em todos os camelôs aquela gola ridícula repetida ao exagero nas passarelas ricas do nosso país. Mas o que mais me impressionou mesmo nesta temporada foi o estilo do povo que se diz entender de moda e faz de tudo para estar nela, como se moda fosse um escudo protetor dos fracos e oprimidos. A cada temporada aparecem novos conceitos estilísticos usados sem a menor preocupação e é ai que fica a diversão, ver corpo errado em roupa mais errada ainda ou pior ver corpo bom em roupa não boa e bastante medonha que não recupera auto estima desabada de ninguém e nem vai te transformar em uma “Lady Gaga II – A missão” momentânea já que para isso é necessário um grande estilista amigo te vestindo de graça com aquilo que nem rezando será vendido no atelier. Em temporadas anteriores eram as bermudas, chinelos, óculos gigantes e chapéu em quantidades assustadoras em bundinhas, pezinhos e cabecinhas chiques da cidade. Desta vez foi de hordas de xoxortinhos franzidos e de cinturas altinhas, preso por cintinhos finos que o faz mais repugnantes. Não tenho nada contra o tal coisinha franzidinha e feinha, que sempre fica presa no traseiro me dando muita vontade de rir. Na verdade até fica bonitinho em menininhas magrinhas e compridinhas que geralmente ciscam aos montes no meio das modelos e famosas do local, mas ver isso numa senhora mãe de família pesadinha e com pernas idem é de morrer. Fora o xortinho a mini saia bandagem, aquelas muito apertadas e muito curtas e muito altas na cintura, usadas sempre com blusas justas e sapatos altíssimos é o pânico garantido ainda mais vista em grupos, não esquecendo as horrendas balonês tomara-que-caia que sempre andam juntas a minis e pecinhas diminutas. Estes looks foram eleitos os unânimes nas gordinhas e baixinhas, combinados a pequenas bolsas e as madeixas longas e alisadas progressivamente, parecendo estar num mega concurso de “Wanderleia cover”. Até imaginei várias delas dançando em gaiolas e cantando – ”por favor, pare agora”. Outro modelo errado e eleito como o melhor da noite foi a legging em vinil ou lycra brilhante também acompanhada por imensos saltos só que desta vez usados com bolsas gigantes e muito decoradas, combinadas a blusas largas ao estilo brega dos anos 80 com ombros fora do lugar, mangas morcego ou afofadas com brilhos perdidos em algum ponto da indumentária. Sou um representante vivo dos queridos anos 80 e sua louca moda extravagante e nem sempre bonita, mas o retorno de proporções agressivamente diferentes, no caso calça muito justa e blusão muito grande ou ombros pontiagudos com ombreiras gigantes é muito perigoso. Nem sempre fica simpático ver garotas com asas ou aletas aerodinâmicas nos ombros ou ver mulheres almofadas de perninhas finas em grandes saltos. O the best no píer eram as colegas mais conhecidas como ‘pão com ovo’ com leggins por baixo de vestidos artiguinhos e bolsas vintages aparentando serem tias velhas e solteironas do exercito da salvação andando em duplas ou trio pra lá e pra cá num vai e vem sem fim. E o pior de todos os pânicos eram os cabelos masculinos alisados progressivamente na chapinha e com corte moderninho o que nunca fica legal ou natural já que sendo curto não fica nem humano, aparentando na verdade com um plástico esticado e colado na cabeça. Um horror. Não vou nem mencionar o excesso de plásticas e botox que vi, pois isso levaria muito tempo e escrita. Prefiro deixar para um futuro livro “Não se envelhece no mundo moderno na verdade se vira Amanda Lepore”.

Sou da moda e não quero estar na moda e sim deixar que ela esteja em mim.

De Gang

Foto: Os estilos se perdem num mar de Amandas Lepores.
(Montagem de De Gang)

(10 jun 09)

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One Response to “Momento sem estilo”

  1. André HP Says:

    “…como se moda fosse um escudo protetor dos fracos e oprimidos.”

    É o que mais pensam. É anti-cult estar fora do tom.

    Babacas.

    Abraço.

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